Exemplo de manipulação

Uma página com mais de 600 mil fãs, e com um discurso geralmente de esquerda, publicou um link (http://migre.me/h3BPL) aproveitando para fazer o seguinte comentário: “Vídeo mostra como um estuprador é tratado pelos profissionais de direitos humanos, os defensores dão água, balinha e até dicas para o réu confesso de como proceder durante o depoimento! Absurdo!”. O link teve mais de 100 “curtidas” e de 180 compartilhamentos.

De fato, havia um video onde ativistas defensores dos direitos humanos davam instruções a um preso. Os comentários, obviamente, estavam recheados daquelas frases de efeito que já nos cansamos de ouvir. Mas qual era o contexto, que nem o administrador da página, nem os fãs, se preocuparam em saber?

Uma garota foi assassinada no Paraná, e a polícia prendeu quatro suspeitos, empregados num parque próximo ao local onde foi encontrado o cadáver. Eles confessaram o homicídio e estupro e foram exibidos como monstros da semana nos freakshows policialescos da televisão e imprensa.

Depois, veio a reviravolta: a perícia técnica anunciou que não havia qualquer prova contra os quatro suspeitos, mas que os acusados haviam sido torturados! Esclareceu-se o ocorrido: um grupo de policiais, pressionados por superiores para “mostrar resultados” no caso de grande repercussão, torturou suspeitos para força-los a assumir o crime que os policiais não conseguiam resolver (http://migre.me/h3BUq). O tipo de tortura que sofreram é familiar para quem sofreu ou estudou a repressão sob a ditadura militar.

Há pouco tempo, soubemos que um morador de rua, preso arbitrariamente durante uma manifestação, ficou por 5 meses preso “provisoriamente” e então condenado a 5 anos de prisão por estar com água sanitária e desinfetante no momento da prisão – a polícia relatou, o promotor denunciou e o juiz condenou. Eles consideraram que os produtos de limpeza em recipiente de plástico eram “coquetéis molotov”.

Noutro caso noticiado nessa semana (http://migre.me/h3CzW), um rapaz foi preso, acusado de estupro, e ficou meses na preso em regime provisório, durante os quais foi estuprado por outros presidiários e contraiu AIDS. E então foi julgado e absolvido, por falta de provas, e libertado. O que ele sofreu na prisão, mesmo sem ter sido condenado, é irreversível.

Em contraste, noutro caso (http://migre.me/h3CJl), 3 adolescentes de famílias ricas, um deles herdeiro do Grupo RBS, foram acusados pelo estupro de uma garota de 12 anos. Nesse caso havia provas de sobra, e a condenação pelo bárbaro estupro e agressão da garota foi uma pena de “liberdade assistida” e “serviços comunitários” de 6 meses.

Da mesma forma que os 450 kg de pasta-base de cocaína flagrados no helicóptero da riquíssima família Perrella não foi considerada como prova de que eles são traficantes, ao contrário das pequenas quantidades encontradas com a maioria dos pobres e negros acusados de tráfico de drogas. A culpa caiu toda sobre o piloto, empregado dos Perrella, que dirigia um helicópetro dos Perrella, e fez uma ligação para os patrões antes de levantar voo, levando a droga para uma fazenda dos Perrella, que, por sinal, são investigados por lavagem de dinheiro (http://migre.me/h3Don).

Já tratamos um pouco sobre isso no nosso blog (http://migre.me/h3CWT). Só gostaria de recordar a todos os que gritam essas frases de efeito datenísticas que todos vocês são cúmplices indiretos dessas arbitrariedades que são repetidamente denunciadas, com baixíssima repercussão.

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