Os novos esquerdistas

A Tese de que as posições ideológicas entre direita e esquerda podem ser resumidas apenas a questão do tamanho do estado já se tornou um Dogma entre os novos direitistas. Caso em um futuro próximo um governo ultradireitista estabeleça como norma esse critério para decidir que governos são de esquerda ou de Direita nos livros de historia é melhor nos adiantamos e avaliar direitistas históricos sobre essa nova maneira de classificar as ideologias e seus defensores.

Vamos começar com um texto de Adam Young um libertário que como 95% dos novos direitistas acredita que toda forma de assistencialismo estatal é um tipo de socialismo só que ele ao contrario de muitos é honesto e aplica o seu critério de Direita X Esquerda para todos os tipos de políticos e não só para os que lhe interessam.

Churchill também foi um famoso opositor do comunismo e do bolchevismo, em particular.

Uma das razões por que Churchill admirava o fascismo italiano é que ele acreditava que Mussolini tinha encontrado uma fórmula que neutralizaria o apelo do comunismo, ou seja, super-nacionalismo com um apelo social assistencialista.(…) Churchill foi tão longe a ponto de dizer que o fascismo “provou o antídoto necessário para o veneno comunista”.

No linguajar dos novos direitistas Churchill queria barrar o socialismo na Europa usando… socialismo. Um direitista autentico não deveria defender com unhas defende o livre mercado?

Afinal o livre mercado é a melhor forma de combater o comunismo pois gera progresso social ao menos na teoria do neoliberalismo. Para um ídolo da direita Churchill tinha pouca fé no estado mínimo.

Para os que acreditam que foi algo temporária é bom lembrar que Churchill defendeu um estado ativo tanto em sua juventude quanto depois da segunda guerra onde já tinha se tornado um dos mais carismáticos dos primeiros-ministros da Inglaterra:

Churchill foi convertido para o modelo de seguro social de Bismarck depois de uma visita à Alemanha. Como ele disse a seus eleitores: “Meu coração se encheu de admiração do gênio paciente que tinha adicionado estes baluartes sociais para as muitas glórias da raça alemã”.

Em seguida eu disse que queria “empurrar uma grande fatia do Bismarckianismo por toda a parte inferior do nosso sistema industrial”. Em 1908, Churchill anunciou em um discurso em Dundee: “Eu estou do lado daqueles que pensam que um maior sentimento coletivo deve ser introduzido no Estado e os municípios gostariam de ver o Estado a realizar novas funções.”

Churchill chegou a dizer: “Eu vou mais longe, eu gostaria de ver o Estado embarcar em várias experiências novas e aventureiras.”

“Churchill descreveu seus parceiros no governo de unidade nacional, o Partido Trabalhista, como totalitários, quando foi o próprio Churchill que havia aceitado o infame Relatório Beveridge que lançou as bases para o gerenciamento de estado do bem-estar do pós-guerra e (mal) keynesiana da economia.”

Mas não somente grandes personalidades da direita tem seus “momentos esquerdistas” Partidos políticos podem seguir uma determinada ideologia e muda-la completamente em algumas décadas. O partido republicano e o democrata dos EUA são os melhores exemplos disso.

Como todos sabem antes da guerra de secessão os EUA estavam divididos entre o sul escravocrata e o norte livre, mas a escravidão não era o único ponto de divergência entre o sul e o norte. Cada região tinha um projeto politico diferente para o pais:

O real motivo pelo qual a guerra foi travada foi a discordância entre os projetos políticos dos estados do norte e do sul americanos. O sul, agroexportador, pretendia o estabelecimento de uma nação pró-livre comércio, com baixas tarifas alfandegárias, ao passo que o norte, mais voltado para uma incipiente produção industrial, queria proteger seus mercados internos. Uma vez que a União comanda a política externa do país, ambos os lados pelejavam no Congresso propugnando seus interesses.

Agora vamos da uma olhada no mapa eleitoral de 1860:

mapa eleitoral eua 1860

Como podem ver Lincoln foi eleito pelo norte que apoiava o protecionismo enquanto o sul que defendia o livre mercado votou nos democratas. O debate entre republicanos e democratas sobre o tamanho do estado e sua atuação na economia continuou mesmo depois da guerra.

“As indústrias de vestuário, processamento de comida e ferrovias desenvolveram-se para atender às demandas da guerra e o Partido Republicano começou a identificar-se cada vez mais com os grandes empresários e industriais do Norte e Meio-Oeste e a ser identificado pela população como tendo sido capaz de promover o desenvolvimento econômico mesmo em meio a uma sangrenta guerra. Por outro lado, passou a ser acusado pelos adversários democratas de ser o partido do “governo grande” e dos altos impostos.”

Longe de se envergonharem de tal politica os presidentes republicanos faziam questão de defende-la em seus discursos. O caso mais conhecido é do presidente William McKinley vejam um trecho de um dos discursos que fariam ele ser vaiado em qualquer encontro dos republicanos atuais:

“[Eles dizem] se vocês não tivessem uma tarifa protecionista as coisas seriam um pouco mais baratas. Bem, se uma coisa é barata ou cara depende do que nós podemos adquirir por nosso trabalho diário. O livre comércio barateia o produto porque desvaloriza o produtor.protecionismo barateia o produto porque valoriza o produtor. Sob o livre comérciocomerciante é o senhor e o produtor o escravo. O protecionismo é, porém, a lei da natureza,lei da autopreservação, do autodesenvolvimento, de assegurar o mais alto e melhor destinoraça humana. “[Diz-se] que o protecionismo é imoral… Por que, se o protecionismo constróieleva 63.000.000 [a população dos Estados Unidos, na época] de pessoas, e a influência destas 63.000.000 de pessoas elevam o resto do mundo? Nós não podemos dar um passo na estrada do progresso sem beneficiar o gênero humano em toda a parte. Bem, eles dizem, ‘compre onde você pode comprar mais barato’…. Tudo bem, isto aplica-se ao trabalho como a qualquer outra coisa. Permitam-me dar a vocês uma máxima que é mil vezes melhor que essa, e é a máxima do protecionismo: ‘Compre onde você pode pagar mais facilmente.’ E este lugar da terraonde o trabalho ganha as suas mais elevadas remunerações.”

A frase acima pode surpreender quem não conheça a historia dos dois partidos mas para quem já leu algo sobre o assunto sabe que o partido republicano no inicio defendiaprincípios da escola americana de economia que apoiava tarifas alfandegarias e subsídiosempresas se opondo a corrente econômica dominante da época que era o liberalismo econômico.

A escola Americana de economia foi uma precursora do keynesianismo e de correntes econômicas que são chamadas de nacional-desenvolvimentismo ou simplesmente desenvolvimentismo. Tanto governos de esquerda quanto de direita se utilizaram de politicas desenvolvimentistas mas pelos critérios dos novos direitistas qualquer um que tenha usado uma policia desenvolvimentista terá feito um governo de esquerda.

Diante disso a lista de ídolos da Direita que teriam que ser “esquerdizados” para atender a metodologia rigorosa dos novos direitistas é infinita nem mesmo o grande herói da direita atual o presidente Ronald Reagan se salva desse novo macarthismo. Que Reagan foi um grande defensor do mercado livre e do estado mínimo isso é um fato porem uma coisa é o discurso outra coisa é a pratica.

Em 1980, último ano de Jimmy Caner como presidente, o governo federal gastou uma gritante 27,9% de renda nacional .Reagan criticou o grande numero de gastos da administração Carter ao longo de sua campanha em 1980. Então o que a administração Reagan fez? No final do primeiro trimestre de 1988, os gastos federais foram responsáveis por 28,7% da “renda nacional”.

Alguns poderiam dizer que Reagan cortou impostos logo diminui o governo mas como é bom lembrar:

Antes de olhar para a tributação sob Reagan, devemos notar que os gastos é o melhor indicador do tamanho do governo. Se o governo corta impostos, mas não gastar, ele ainda recebe o dinheiro de algum lugar, quer através de empréstimos ou de inflar. De fato o dinheiro que Reagen gastava tinha que vir de algum lugar o resultado foi que a divida americana saltou de 900.000 milhões dólares para US $ 2,7 trilhões.

Alguns conservadores justificam os gastos de Reagan dizendo que eram necessários para financiar a corrida armamentista contra a URSS eu não irei falar disso nesse texto pois ira desviar o foco mas o aumento de gastos não se resumiu apenas ao setor militar: O orçamento para o Departamento de Educação, que candidato Reagan prometeu abolir juntamente com o Departamento de Energia, mais do que duplicou para 22,7 bilhões dólares, os gastos da Previdência Social aumentaram de $ 179.000.000.000 em 1981 para 269 bilião dólares em 1986. O preço dos programas agrícolas passou de 21.400 milhões dólares em 1981 para 51.400 milhões dólares em 1987, um aumento de 140% . Os gastos do Medicare em 1981 foram 43.500 milhões dólares, em 1987, chegaram a US $ 80 bilhões.

Também é bom lembrar que ouve protecionismo em seu governo:

A administração Reagan foi o mais protecionista desde Herbert Hoover. A parcela das importações sob restrição dobrou desde 1980. Quotas e os chamados restrições voluntárias foram impostas em uma série de produtos, desde chips de computador para automóveis.

Ameaçadoramente, Reagan adotou a dicotomia fair-trade/free-trade falso, e ele estava ansioso para assinar o grande projeto comercial, que se inclina às leis comerciais ainda mais para o protecionismo.

Além de um aumento de funcionários públicos:

Até agora, não deve ser surpreendente que o tamanho da burocracia também cresceu. Hoje, existem mais de 230.000 funcionários públicos civis do que em 1980, elevando o total para quase três milhões. Reagan ainda promoveu a criação de um novo Departamento Federal de Assuntos dos Veteranos para juntar os Departamentos de Educação e Energia, que seu governo deveria eliminar.

Se os critérios de classificação dos novos direitistas continuarem tão rígidos quanto estão agora resta saber se na futuro existira algum governo que possa ser reconhecido como de Direita.

PS: Alguns leitores podem ter estranhado alguns artigos do Mises como referencia. Eu usei essas justamente porque são insuspeitas de cometerem qualquer fraude seja em números ou em relatos históricos que pudessem beneficiar a esquerda.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-44782012000100007&script=sci_arttext

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1406

http://mises.org/daily/1450

http://mises.org/freemarket_detail.aspx?control=488

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5 respostas a Os novos esquerdistas

  1. Engraçado é que apesar do Churchill ser ídolo da direita, asnos como o Luciano Antan, insistem em empurrá-lo pra esquerda, assim como Mussolini e os generais da ditadura militar brasileira, e tudo usando aquela velha justificativa de mais e menos Estado, talvez seja por isso que essa turminha diz que não existe direita no Brasil.

  2. Meu caro acabei encontrando o seu Facebook através do Anarcomiguxos, que por sua vez encontrei por acaso, devido ao seguinte artigo que escrevi – e que aquela página e a sua compartilharam:
    http://blogdomonjn.blogspot.com.br/2011/03/marx-por-mises-por-marx-parte-1.html

    Estou escrevendo a segunda parte desse artigo e assim que tiver pronto gostaria de avisá-lo para divulgação mas como não tenho Facebook precisaria de algum outro contato (e-mail, de preferência). Também tenho propostas de nemes que poderia sugerir.

    Sobre o tema aqui abordado, se o novo machartismo da direita for consequente, vai sobrar poucos, inclusive os ídolos intelectuais seriam barrados nesse filtro. Como fica, por exemplo, a situação do Mises, que declarou que o fascismo estava salvando a civilização européia e que aderiu a Frente Patriótica (fascista) na Áustria, em uma concepção que considera o fascismo de esquerda?

    Abraços!

  3. Diego Guimarães diz:

    tenho a impressão de que o texto seria mais expressivo se os erros ortográficos e de estilo fossem corrigidos. sugiro uma revisão, e depois tenho certeza que vou aproveitar mais a leitura!

  4. Rael diz:

    Meu caro, gostaria de um analise mais socialista sobre alguns dados que os chamados “libertarios/libertarianos” vivem pregando por ai, principalmente aquele que relaciona os países com maiores IDH e PIB com o maior grau de liberdade economica e a que mostra os 10% mais pobres dos paises com maior liberdade economica em melhor renda q os 10% mais pobres de outros países. Sei que deve haver muitos outros fatores relacionados a isso. Um texto sobre achoq ue seria excelente. Se não, poderia indicar alguma literatura sobre. Abraços.

  5. pablo diz:

    Vale lembrar que anarquistas também são de esquerda, também são socialistas (socialistas libertários), e são absolutamente contra o Estado. Negar isso não seria apenas um ato mentiroso, mas também contraproducente, visto que 1) os anarquistas sempre foram fundamentais na luta contra o capital e 2) considerar que a luta contra o capitalismo é uma luta pelo aparelho estatal é uma miopia estratégica, que ignora até mesmo a defesa marxista de que o Estado proletário seria (ao menos teoricamente) “apenas” uma transição a uma sociedade sem Estado.

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